Cuidado ambiental em tempos de sustentabilidade
uma das dimensões envolvidas na adoção (ou não)
de uma postura em favor do meio ambiente, quando
considerada a noção de sustentabilidade. A relevância
do estudo também decorre do fato de que os estudos
sobre essas relações tem sido realizados em sua maioria
em contexto internacional.
Em consonância com a literatura, ainda que com
índices estatísticos modestos, foram encontradas
evidências empíricas das associações entre compromisso
pró-ecológico, mais fortemente o ecocentrismo, e a
orientação temporal de futuro (Barros, 2011; Corral-
Verdugo, 2010; Gifford et al., 2009; Joireman, 2005;
McElwee & Brittain, 2009; Milfont & Gouveia, 2006;
Milfont, Wilson & Diniz, 2012; Pinheiro & Corral-
Verdugo, 2010).
Entretanto, houve uma ambiguidade quanto às
relações entre antropocentrismo e as orientações
temporais, visto que tal postura apresentou correlação
positiva tanto com futuro, quanto com imediatismo.
Tal evidência sugere que, além da diferença existente
entre as bases valorativas das posturas antropocêntrica
e ecocêntrica, apontada tanto no estudo original da
escala quanto em estudos posteriores (Coelho, Gouveia
& Milfont, 2006; Schultz & Zelezny, 1999; Thompson
& Barton, 1994), a orientação temporal pode também
ser considerada como variável que diferencia tais
posturas. É válido aprofundar o entendimento sobre
a orientação temporal de pessoas antropocêntricas,
visto que tal orientação esteve associada à ausência de
cuidado ambiental.
Ressalta-se, ainda, a relevância da escala de apatia
ambiental no contexto de mensuração do compromisso
pró-ecológico, visto que resultou num contraponto
importante quando consideradas as associações com
as demais variáveis, especialmente com a orientação
temporal. Nesse sentido, recomenda-se que estudos
posteriores considerem medir a postura de indiferença
quanto às questões ambientais, aprofundando sua
relação com o imediatismo, assim como identificando
associações com outras variáveis.
Quando considerado o relato de práticas de cuidado
ambiental, o ecocentrismo e a orientação de futuro
não diferenciaram os grupos. Houve associações
evidentes entre o antropocentrismo, a apatia ambiental
e o imediatismo e a ausência de práticas de cuidado
ambiental. O que reforça a ideia de que é necessário
explorar as dimensões psicológicas associadas com
o não engajamento em práticas de cuidado am-
biental.
Estudos posteriores podem suplantar algumas das
lacunas apontadas na presente investigação abordando
novos grupos de participantes, com características
diferentes e em contextos de coleta diferenciados. Tendo
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em vista que a maior parte dos estudos que abordam
as mesmas relações aqui exploradas foram realizadas
em outros países, observa-se que a manipulação de
novas variáveis, inclusive novas variáveis sociodemo-
gráficas a partir de amostras mais heterogêneas, pode
enriquecer e produzir avanços no conhecimento acerca
da adoção de estilos de vida sustentáveis em contexto
brasileiro.
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