Disparidades de Gênero
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo
bibliométrico
Gender disparity in leadership positions: a bibliometric study
Disparidad de género en puestos de liderazgo: un estudio bibliométrico
Luana Cristina-Silva
Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil
Ana Carolina Novaes de Mendonça
Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil.
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Brasília, Brasil.
Roniberto Morato do Amaral
Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil
Leandro Innocentini Lopes de Faria
Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil
ORIGINAL
Resumo
Objetivo. A presente pesquisa objetiva realizar um levantamento da produção científica sobre a disparidade de gênero no
contexto global e nacional, a fim de explorar e elucidar aspectos envolvendo a temática “mulheres em cargos de liderança” e as
potenciais relações com Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e questões étnico-raciais com enfoque no Brasil.
Método. Caracteriza-se como quantitativa, apoiado na bibliometria para obter técnicas e ferramentas de avaliação quantitativa
e na análise das inter-comparações da atividade, produtividade e progresso científico. Resultados. Há um evidente interesse
na comunidade científica global sobre a temática pesquisada, e um significativo volume de países emergindo na discussão.
Contudo, o Brasil insere-se no cenário com um atraso de duas décadas, porém já possui conexões internacionais significativas
em suas colaborações. Os ODS se alinham com a discussão proposta, sugerindo que a luta por igualdade de gênero impacta
no desenvolvimento e avanço de uma sociedade tanto local quanto global. Por fim, a intersecção da temática com aspectos
raciais mostrou uma representação tímida, comprovando a necessidade urgente de mais pesquisas que abordem demandas de
minorias. Conclusões. Necessita-se de mais pesquisas sobre disparidade de gênero em diversos contextos e especificidades,
e um dos meios possíveis para ampliar e enriquecer tais produções pode ser através da colaboração científica entre países,
instituições e autores. Pesquisas futuras poderão complementar ou até mesmo aprimorar os resultados obtidos através de novos
métodos e/ou ferramentas.
Palavras-chave: disparidade de gênero, estudo de gênero, teto de vidro, liderança feminina, bibliometria
Abstract
Objective. The present research aims to carry out a survey of scientific production on gender disparity in the global and national
context, in order to explore and elucidate aspects involving the theme “women in leadership positions” and the potential
relationships with Sustainable Development Goals (SDGs) and ethnic-racial issues with a focus on Brazil. Method. Characterized
as quantitative, supported by bibliometrics to obtain quantitative assessment techniques and tools and the analysis of inter-
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Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
comparisons of activity, productivity and scientific progress. Results. There is an evident interest in the global scientific
community in the topic researched, and a significant number of countries emerging in the discussion. However, Brazil enters the
scenario with a delay of two decades, but it already has significant international connections in its collaborations. The SDGs align
with the proposed discussion, suggesting that the fight for gender equality affects the development and advancement of a society,
both local and global. Finally, the intersection of the theme with racial aspects showed a timid representation, proving the urgent
need for more research that addresses the demands of minorities. Conclusions. More research is necessary on gender disparity
in different contexts and specificities, and one of the possible ways to expand and enrich such productions can be through
scientific collaboration between countries, institutions and authors. Future research may complement or even improve the results
obtained through new methods and/or tools.
Keywords: gender disparity, glass ceiling, female leadership, bibliometrics
Resumen
Objetivo. La presente investigación tiene como objetivo realizar un levantamiento de la producción científica sobre la disparidad
de género en el contexto global y nacional, con el fin de explorar y dilucidar aspectos que involucran el tema “mujeres en
posiciones de liderazgo” y las potenciales relaciones con los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) y las cuestiones étnico-
raciales con enfoque en Brasil. Método. Caracterizado como cuantitativo, apoyado en la bibliometría para la obtención de
técnicas y herramientas de evaluación cuantitativa y el análisis de intercomparaciones de la actividad, la productividad y el
progreso científico. Resultados. Hay un evidente interés de la comunidad científica mundial por el tema investigado, y un número
importante de países emergen en la discusión. Sin embargo, Brasil entra en escena con un retraso de dos décadas, pero ya
cuenta con importantes conexiones internacionales en sus colaboraciones. Los ODS se alinean con la discusión propuesta,
sugiriendo que la lucha por la igualdad de género afecta el desarrollo y avance de una sociedad, tanto local como global.
Finalmente, la intersección del tema con los aspectos raciales mostró una tímida representación, demostrando la urgente
necesidad de más investigaciones que aborden las demandas de las minorías. Conclusiones. Es necesaria más investigación
sobre la disparidad de género en diferentes contextos y especificidades, y una de las posibles formas de ampliar y enriquecer
dichas producciones puede ser a través de la colaboración científica entre países, instituciones y autores. Investigaciones futuras
pueden complementar o incluso mejorar los resultados obtenidos mediante nuevos métodos y/o herramientas.
Palabras clave: disparidad de género, estudio de género, techo de cristal, liderazgo femenino, bibliometria.
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1 Introdução
A velocidade com que as mudanças sócio-políticas-culturais ocorrem na sociedade colocam em pauta a
necessidade de alinhamento com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sendo estas metas
globais que buscam promover a paz, justiça, educação de qualidade, redução de desigualdades, dentre outros.
Dentre essas metas, destaca-se o objetivo 5, que diz respeito à igualdade de gênero e que tem se destacado em
diversas áreas da sociedade, visto que tem como propósito “[...] alcançar a igualdade de gênero e empoderar
todas as mulheres e meninas” (ONU, 2015, p. 18).
Neste contexto, o cenário contemporâneo testemunha uma transformação nas configurações de liderança.
Mulheres estão conquistando posições desafiando paradigmas estabelecidos, não apenas em cargos de
liderança, bem como no ambiente acadêmico e científico. Esse avanço é significativo, remodelando as dinâmicas
organizacionais e contribuindo para a construção de sociedades mais justas e equitativas. O aumento da presença
feminina em cargos de liderança reflete não apenas uma mudança nas estruturas organizacionais, mas também
um passo fundamental em direção a uma representação mais inclusiva e diversificada.
Apesar das iniciativas e avanços, as mulheres continuam ocupando menos cargos de liderança, como evidenciado
pelo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2021). No contexto brasileiro, as
mulheres ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais, em comparação com os 62,6% ocupados por homens.
Esses indicadores ajudam a analisar as características que permeiam as instituições e consequentemente como
respondem aos princípios de igualdade e diversidade de gênero, integrando-se à Agenda 2030 como parte
significativa dos esforços globais para promover o desenvolvimento sustentável e a equidade (IBGE, 2021).
Além dos cargos gerenciais e de liderança em organizações, é importante destacar que nas Universidades
brasileiras, especificamente nos 69 cargos de alto escalão da administração acadêmica para Reitoria, apenas 15
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são mulheres, representando uma proporção de 21,7%. Em contrapartida, há 54 homens ocupando o mesmo
posto, evidenciando uma disparidade significativa de gênero nesse contexto (Giatti & Ubeda, 2021).
Explorando a perspectiva internacional, Eagly e Carli (2007) destacam que, nos Estados Unidos, apenas 6% dos
cargos de presidente, diretor executivo e diretor operacional nas maiores corporações, conforme listadas no
Fortune 500, são ocupados por mulheres. Ampliando o escopo para o contexto da União Europeia,
especificamente nas 50 maiores corporações de capital aberto de cada país, observa-se que, em média, as
mulheres representam 11% dos principais executivos, sendo apenas 4% ocupando posições de CEOs e chefes
de conselho. Esses dados enfatizam a abrangência global da desigualdade de gênero em cargos de liderança e
incitam uma reflexão mais aprofundada sobre as causas subjacentes à disparidade de gênero.
No âmbito da CI, discussões acerca de gênero e protagonismo de mulheres podem contribuir no arcabouço teórico
e base metodológica referentes aos papéis de gênero e suas disparidades, como apontam estudos anteriores ao
ano 2000 e a sua crescente importância notada a partir de 2017. Uma outra contribuição da Ciência da Informação
(CI) para a investigação da temática envolve o direcionamento à compreensão de “processos de construção e
representação de identidades de gênero, bem como para o estudo das dinâmicas de poder presentes nas
estruturas e sistemas informacionais” (Marinho et al., 2023, p. 6).
Para Silva (2024) denota-se um crescente interesse no tema após 2019. No contexto brasileiro, pesquisas
científicas nesse âmbito têm se concentrado em tópicos como mulheres e carreira no esporte, desigualdade de
gênero em cargos de liderança, discriminação racial e carreira religiosa, e desafios enfrentados por mulheres em
áreas Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEAM).
Considerando a produção científica existente sobre mulheres e cargos de liderança, este estudo busca responder
às seguintes questões de pesquisa: a) as produções estabelecem conexões com os indicadores de gênero
propostos pelos ODS, especialmente o ODS 5? b) há intersecção entre a temática de gênero e a abordagem racial
nas produções? c) Como se dá a colaboração científica entre os atores dessas publicações?
Diante disso, este artigo objetiva analisar a produção científica sobre disparidade de gênero em âmbito global e
nacional, explorando e elucidando aspectos relacionados à temática “mulheres em cargos de liderança” e suas
potenciais relações com os ODS e questões étnico-raciais, com foco no contexto brasileiro.
2 Gênero no contexto de liderança
À medida que mais mulheres buscam atingir seus objetivos profissionais e educacionais, surge uma necessidade
de enfrentar as barreiras persistentes que existem nas instituições e na sociedade em geral. Para Menezes e
Jacob (2020, p. 247) no século XIX as mulheres se mobilizaram na luta contra a disparidade de tratamento de
gênero, o então movimento feminista ganhou força e ganhou uma conotação positiva. Dessa forma, a busca por
igualdade no ambiente de trabalho tem sido uma das principais causas defendidas pelo movimento feminista, que
visa estabelecer direitos em várias esferas da sociedade.
De acordo com Rambaldi e Probst (2017, p. 125), as mulheres sempre estiveram presentes na história, porém,
por muito tempo foram excluídas de qualquer representação. Mesmo com a historiografia tradicional as excluindo,
durante décadas, das narrativas, elas de fato não estavam ausentes. Embora fosse tal representação invisibilizada
ou, quando abordada, colocada em papéis secundários, as mulheres exerceram participação ativa e relevante na
história.
Este fenômeno de reduzir a representação de mulheres é também conhecido como sub-representação de
mulheres, conforme indica Poggio (2022). Assim, coloca-se as mulheres em perspectiva secundária em diversos
ambientes, como no caso do ambiente acadêmico e científico.
Em termos de liderança, um estudo realizado no contexto nacional pelo Insper e o Talenses Group, denominado
Panorama Mulheres (2023), identificou a presença de mulheres em cargos de liderança, com o intuito de avaliar
o impacto em cargos de tomada de decisão e examinar as características das empresas lideradas pelas
executivas. Segundo o estudo, a presença feminina nos cargos de presidência aumentou de 13% para 17% e a
de vice-presidente subiu de 23% para 34%.
No entanto, embora os números apontem um tímido crescimento da presença das mulheres na representação de
cargos de liderança, fica evidente que a proporção da presença feminina comparada com a masculina é ainda
exponencialmente inferior. Prova disso é a pesquisa de Kräft (2022) que identificou a probabilidade de aumento
de mulheres ocupando cargos de liderança na Grã-Bretanha em torno de 5,3%, comparado com a ocupação dos
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homens. Isto devido potencialmente a uma política de cotas femininas, embora na prática os cargos se mostram
ainda predominantemente ocupados por homens.
Mesmo quando mulheres conseguem atingir cargos de liderança, seus salários são ainda inferiores aos de
homens em cargos equivalentes. Para compreender esta afirmação, Kräft (2022, p. 1914) apresenta duas
hipóteses baseadas no efeito glass ceiling, ou teto de vidro - que se refere, em suma, às barreiras impostas para
que mulheres tenham mais dificuldades de atingir cargos de liderança e privilegie tais ocupações pelo gênero
masculino - sendo estas:
Hipótese 1: As trabalhadoras do sexo feminino têm uma probabilidade significativamente menor de serem
promovidas para as hierarquias superiores do que os trabalhadores do sexo masculino numa indústria
dominada pelos homens, mantendo-se os outros fatores iguais (efeito de barreira invisível). Hipótese 2:
Os executivos do sexo masculino tendem a ganhar uma remuneração total significativamente mais
elevada do que as executivas do sexo feminino numa indústria dominada pelos homens, mantendo-se
os outros fatores iguais (efeito da disparidade salarial).
Em virtude desta disparidade salarial, numa perspectiva geral, Kräft aponta que a desigualdade se situa entre
6,2% e 9,5%. Tal feito é analisado pela autora e se dá devido ao potencial impacto de fenômenos sociais, como
a necessidade de regimes mais flexíveis a fim de que as mulheres consigam atender a demandas familiares (como
cuidar de casa e da família).
Na esfera executiva, a diferença varia entre 21,7% e 26,8%, e mais da metade da diferença total é motivada
justamente pelas características que favorecem aos homens. No entanto, quanto mais elevado for o cargo
hierarquicamente menos se pronunciam sobre as diferenças. Assim, a autora sugere que a desigualdade diminui
conforme o cargo se eleva quebrando metaforicamente o teto de vidro. A quebra metafórica do teto de vidro se
dá, possivelmente, devido à combinação da auto-seleção e atitudes semelhantes às dos homens, adotado pelas
mulheres com seu elevado poder de negociações em cargos executivos.
Neste sentido, Kowalewska (2023) estuda 24 países a fim de estabelecer o padrão de gênero no mercado de
trabalho, e identifica que as mulheres realmente estão em desvantagens em relação aos homens em todos os
países estudados, cada qual com suas respectivas particularidades.
A disparidade entre os gêneros, em relação aos cargos ocupados, se aplica também no âmbito acadêmico e
científico, transcendendo o contexto corporativo. Na Itália, mais especificamente na Universidade de Trento, a
então vice-reitora de igualdade e diversidade Barbara Poggio (2022), relata sua experiência em uma carta
executiva em que destaca os desafios das assimetrias de gêneros nesse meio em aspectos tais como
performatividade, competição e excelência.
Poggio (2022, p. 3) afirma que “Em geral, as instituições de ensino superior continuam dominadas por homens, e
as mulheres parecem ainda estar sub-representadas em cargos de alto escalão em instituições científicas”. Deste
modo, evidencia-se assimetrias no contexto europeu e como os homens ocupam majoritariamente os cargos de
alto escalão nas organizações científicas. Neste cenário, a predominância masculina encontra-se em diversas
esferas, iniciando pelos cargos de reitorias universitárias (em torno de 85%), até aspectos de concessão de bolsas,
por exemplo.
A sub-representação de mulheres no topo acadêmico é abordada também por Benschop e Brouns (2003) através
da perspectiva estrutural, cultural e de procedimentos das organizações acadêmicas, cuja concepção é refletida
pela posição hegemônica que privilegia os homens. Ambas questionam sobre a concepção de qualidade neste
contexto, e propõe um novo modelo em que o ideal científico implica em responsabilidade social, pública e de
transparência.
2.1 Intersecção entre gênero e raça
Quando combinado a questão de gênero com questões étnicas e/ou raciais, tem-se ainda outro recorte. Abraído-
Lanza et al. (2021) evidenciam tal sub-representação especificamente das mulheres latinas e negras, e discutem
como são dificultadas a participação plena de latinas na academia por meio de contextos institucionais e
sociopolíticos, bem como pelas dinâmicas familiares e as normas de gênero.
Na pesquisa "Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas"
(2016), é apontado que as mulheres negras representam 10,6% no total, com 10,3% do nível funcional, 8,2% da
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supervisão e apenas 1,6% da gerência. No quadro executivo, a presença cai para 0,4%, sendo apenas duas
mulheres entre 548 diretores, independentemente de raça ou gênero.
Embora as mulheres apresentem maior nível de escolaridade, conforme apontado por Sandra e Casa Nova
(2024), persistem as desigualdades em termos de oportunidades de trabalho e remuneração, especialmente no
meio acadêmico. Essa disparidade é ainda mais acentuada para mulheres negras, em um contexto social
permeado por redes de poder e relações de interesse que perpetuam a ordem vigente. O acesso de mulheres
negras ao mercado de trabalho no Brasil enfrenta obstáculos adicionais desde a educação básica, impactado por
fatores como condições socioeconômicas e qualidade do ensino.
Dados do IBGE (2024) referente ao ano de 2023 ilustram as disparidades de raça e gênero na gestão. Em nível
nacional, 66% desses cargos são ocupados por pessoas brancas, enquanto pretos e pardos representam 32%.
As regiões Norte e Nordeste apresentam um padrão distinto, com cargos de gestão majoritariamente ocupados
por pessoas pretas ou pardas (62,5% e 51,6%, respectivamente). Nas demais regiões, a representatividade de
pretos e pardos em cargos de gestão é inferior a 50%, com destaque para a região Sul, onde 84,1% dos gestores
são brancos e apenas 15% são pretos ou pardos. Em cargos gerenciais homens brancos ocupam 64,9%,
enquanto homens negros representam 33%. Mulheres brancas ocupam 67,7% desses cargos, em comparação
com 30,2% de mulheres negras. Não obstante, no mesmo período de 2023, a média salarial mensal de acordo
com gênero e raça também apontaram assimetrias significativas. Homens brancos, independentemente do cargo
ocupado recebem mais que homens negros e pardos, que mulheres brancas e mulheres negras e pardas. A média
salarial mensal para homens brancos foi de R$ 4.167, enquanto mulheres brancas receberam R$ 3.186, homens
negros R$ 2.403 e mulheres negras R$ 1.905.
Essa estrutura social impõe segregação e epistemicídio, resultando em oportunidades perdidas, algumas delas
irreversíveis. Sandra e Casa Nova (2024) observam que, mesmo quando as situações se revertem positivamente,
a dor e o desconforto persistem. O sexismo e o racismo são obstáculos evidentes para o desenvolvimento
profissional, e cabe às organizações atender às demandas sociais por igualdade (Ferreira et al., 2020).
2.2 Explorando causas, efeitos e potenciais ações reparadoras
O denominador comum entre algumas das abordagens acima, no sentido de compreender o motivo de tais
contextos, é o neoliberalismo. Este modelo implica evidentemente nas questões de gênero, já que demanda
produção, dedicação, ritmos acelerados e um conceito de “excelência” dentro de um cenário em que, no contexto
familiar, por exemplo, o homem é desassociado da obrigatoriedade do papel de cuidar. Desse modo, o discurso
meritocrático potencializa a disparidade nos gêneros, utilizando-se de tendenciosos critérios avaliativos e de
promoção. (Poggio, 2022; Meade et al., 2022)
Na ciência, por exemplo, alguns fatores podem contribuir para a lacuna de gênero e um desses fatores é a
maternidade. De acordo com Carpes et al. (2022, p. 1) "A parentalidade traz consigo grandes e diferentes
responsabilidades, que podem impactar a carreira de cientistas, e a comunidade acadêmica deve estar ciente
desse impacto, que não é igual para homens e mulheres.".
Estes resultados sugerem que a maternidade tem um impacto importante nas carreiras das mulheres cientistas,
o que não é uma característica específica do meio acadêmico, mas sim dos ambientes de trabalho em geral.
Estudos anteriores já indicaram que a maternidade leva à penalização das mulheres, enquanto a paternidade não
tem as mesmas consequências para a carreira profissional dos homens.
Posto isto, fica evidente que a questão da disparidade de gêneros está presente em diferentes países e possuem
configurações complexas e estruturais. Considerado um fenômeno global, ações e políticas a fim de diminuir tais
desproporções são de extrema importância para uma sociedade mais justa e igualitária.
Neste sentido, dos 17 ODS estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, destaca-se o
objetivo 5, que diz respeito à igualdade de gênero. Dentro do contexto dos ODS, existem indicadores e metas
específicas, associadas a eles, para monitorar e medir o progresso em direção a alcançar esses objetivos.
Ao que concerne sobre a presença de mulheres em cargos de liderança, tem-se especificamente a meta 5.5 que
visa "Garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em
todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública" (ONU, 2015). Este, por sua vez,
confere que promover a igualdade de gênero é um princípio fundamental para alcançar o desenvolvimento
sustentável, pois promove a justiça social, a equidade e a plena participação de todos na sociedade.
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A presença feminina em cargos de liderança contribui significativamente para outros objetivos da agenda global,
visto que eles são interdependentes e exigem soluções integradas (ONU, 2015). Por exemplo, ao ampliar a
influência das mulheres na tomada de decisões políticas, econômicas e públicas, constrói-se uma base mais sólida
para atingir metas relacionadas à promoção da saúde, garantia de educação inclusiva e impulsionamento do
crescimento econômico. A liderança feminina não é apenas um indicador de igualdade de gênero, mas um
catalisador para transformações positivas em diversas esferas, alinhando-se aos princípios fundamentais do
desenvolvimento sustentável.
Com base nisto, políticas e movimentos emergem. No setor privado brasileiro, à título de exemplo, surge o
“Movimento Elas Lideram 2030”. A iniciativa, co-liderada pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global da ONU, reflete
um compromisso coletivo em alinhar as práticas empresariais aos princípios fundamentais de Direitos Humanos
e igualdade de gênero. O Movimento Elas Lideram 2030 representa um dos esforços colaborativos para
impulsionar transformações significativas, superando barreiras e desafios que historicamente limitaram a
participação plena das mulheres em diversos níveis da sociedade (ONU Mulheres, 2022).
Para além do Brasil, no entanto, existem alguns projetos a fim de promover a igualdade de gênero no setor do
ensino superior. Dois projetos foram estudados por Meade et al. (2023, p. 1709), e conforme a análise discursiva-
desconstrutiva inferiu-se que, apesar de conter alguns elementos de práxis e críticas feministas, na prática se
propaga o denominado “otimismo cruel”.
Entende-se por otimismo cruel o cenário em que se promete a promoção às mulheres, elencando-as diversos
aspectos a cumprirem. Deste modo, estimula-se a “[...] subjetivação das mulheres acadêmicas a pesadas práticas
de elaboração de estratégias, auto auditoria e autopromoção, seduzidas pela promessa de prêmios que poucos
alcançarão”. Evidenciam, por conseguinte, que o desenvolvimento, a ambição e a confiança das mulheres na
academia são consideradas como insuficientes se comparados às mesmas configurações masculinas.
As práticas de Gestão de Conhecimento, sob o viés da CI, negligenciam diversidades incluindo as de gênero e
raça. Com isso, ressalta-se a importância de estudos que alinhem tais temáticas, assumindo a importância da
informação e do conhecimento para o processo sócio-inclusivo. (Campos & Pinho Neto, 2018)
Contudo, embora denote-se iniciativas em pró da luta por diminuição da disparidade, pragmaticamente as
mulheres ainda precisam buscar quebrar o teto de vidro, seja no setor público ou privado, acadêmico ou
corporativo, no Brasil ou no mundo.
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3 Percurso metodológico
Este artigo possui caráter quantitativo, apoiado na bibliometria, que se trata de um “[...] estudo da mensuração do
progresso científico e tecnológico e que consiste na avaliação quantitativa e na análise das inter-comparações da
atividade, produtividade e progresso científico” (Silva, 2001, p. 6). O termo bibliometria surge em 1969, citado pela
primeira vez por Pritchard e precede do francês, introduzido por Otlet e que estabeleceu as metodologias, denota
Alvarado (2008).
Conforme Araújo (2009), bibliometria consiste na aplicação de técnicas estatísticas seguindo a lógica de que a
informação pode ser quantificada, e pautando-se nesta quantificação, prever futuras manifestações. Ademais,
delineia-se a presente pesquisa pela Lei de Bradford, a fim de descrever a distribuição da literatura científica
referente ao objeto de pesquisa (Alvarado, 1984).
Portanto, diante das evidências de desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho e na academia, este
estudo busca analisar a produção científica sobre mulheres e cargos de liderança, investigando as seguintes
questões: a) As produções estabelecem conexões com os indicadores de gênero propostos pelos ODS,
especialmente o ODS 5? b) Há intersecção entre a temática de gênero e a abordagem racial nas produções? c)
Como se dá a colaboração científica entre os atores dessas publicações?
Além disto, esta obra trata-se de um desdobramento e aprofundamento de um resumo expandido de conferência
(9° Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria) publicado em 2024 pelos presentes autores (Cristina-Silva
e outros, 2024). Na presente publicação, os dados bibliométricos utilizados foram publicados em um repositório
para eventuais acessos, também pelos presentes autores (Cristina-Silva et al., 2025).
Para obtenção dos dados para a análise à luz da bibliometria, primeiramente definiram-se os procedimentos
metodológicos conforme quadro 1. Em seguida, aplicou-se a busca na base de dados, realizada no dia 22 de
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novembro de 2023. Com relação à formulação dos termos de busca, utilizou-se primariamente a formulação
provisória da estratégia de busca ((TITLE-ABS-KEY ("gender inequality" OR "glass ceiling")), que permitiu a
compreensão lógica sobre o conjunto de termos para composição da expressão de busca final.
Quadro 1
Procedimentos e critérios para levantamento dos dados
Procedimento
metodológico
Descrição/Justificativa
Foi definida a base de dados a Scopus, por se tratar de uma base com conteúdo
Escolha da base de
multidisciplinar, de referência mundial e ser amplamente utilizada em estudos
dados
bibliométricos, e ademais é a base para o cálculo do JCR Impact Factor e assegura a
representatividade da amostra. (Groenner et al., 2022)
Elaborada a expressão de busca principal (Quadro 3), seguindo as orientações
Definição da expressão
de busca
de Lopes (2002);
Para delinear aos ODS utilizou-se a metodologia da Scopus (Jayabalasingham et
al, 2019);
Para delinear o viés racial respaldou-se em Lopes (2002) conforme quadro 4.
Com os resultados disponíveis, realizou-se o download e salvaguarda dos dados em nuvem
e no computador físico dos pesquisadores, viabilizando o envio destes à ferramenta de
Preparação dos dados
análise bibliométrica. Optou-se por utilizar o software VOSviewer como ferramenta para a
construção de redes bibliométricas, que possui também a funcionalidade de mineração de
texto para contribuir na estruturação dos dados para a construção da rede para análise.
Definição dos
Com base na lei de Bradford, definiu-se os indicadores para a análise voltados à produção
indicadores para análise e colaboração científica (co-autoria).
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores (2024). [Descrição de imagem] Quadro 1, intitulado 'Procedimentos e
critérios para levantamento dos dados'. O quadro possui duas colunas, 'Procedimento metodológico' e
'Descrição/Justificativa', e descreve quatro etapas da metodologia de pesquisa: escolha da base de dados
(Scopus), definição da expressão de busca, preparação dos dados (com VOSviewer) e definição dos indicadores
de análise (com base na Lei de Bradford [Fim da descrição].
Já a identificação e eliminação dos termos indesejados possibilitou uma maior precisão dos resultados
recuperados sobre a temática da desigualdade de gênero no contexto organizacional, conforme pode ser
visualizado no quadro 2. A significativa presença e variedade de termos indesejados, pode estar relacionado à
diversidade de desafios que são impostos às mulheres nos mais variados contextos da vida em sociedade.
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Quadro 2
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Termos descartados e justificativa (AND NOT)
Termo / palavra-chave
“hiv” OR “covid*” OR “disease” OR
"health inequalit*" OR "maternal
mortality" OR "health insurance" OR
"healthcare services" OR “biology” OR
“cancer*” OR "weight" OR “sex*” OR
“child”
“novel” OR “genre” OR “fiction”
“religio*” OR “Israeli occupation” OR
“Palestine” OR “War” OR "veteran*"
“state pension age” OR “pension”
“land ownership” OR "energy"
"climate change" OR "food system"
“sociology of education” OR “student*”
“pest*”
Justificativa
Artigos que versam sobre aspectos voltados à saúde relacionado ao
gênero, bem como doenças, condições biológicas, acesso ao sistema
de saúde, gênero na infância e afins
Artigos que versam sobre aspectos voltados ao gênero literário, ficção
científica, romance literário e afins
Artigos que versam sobre estigma religioso e preconceito de raça
contra o islamismo e afins, bem como nos enfoques em características
relacionadas à guerra, guerra religiosa, ocupação territorial e saúde
mental de mulheres veteranas de guerra
Artigos que versam sobre programa de aposentadoria por gênero/idade
Artigos que versam sobre gênero e impacto na propriedade de terras,
ou sobre a interação entre acesso à energia limpa e empoderamento
familiar na índia
Artigos que versam sobre os impactos das mudanças climáticas nos
sistemas alimentares, que limitam o acesso das mulheres aos recursos
Artigos que versam sobre a questão de gênero com enfoque nos
estudantes, e não no aspecto profissional
Artigos que versam sobre a questão de gênero e como estes tratam
aspectos de pesticida e pestes nas lavouras
“violence”
Artigos que versam sobre a violência sofrida por mulheres
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores (2024). [Descrição de imagem] Quadro 2, intitulada 'Termos descartados e
justificativa (AND NOT)'. O quadro possui duas colunas, 'Termo / palavra-chave' e 'Justificativa', e lista os termos
de busca que foram excluídos de um estudo sobre disparidade de gênero, bem como a justificativa para essa
exclusão, cobrindo temas como saúde, literatura, conflito religioso e outros [Fim da descrição].
Especificados os parâmetros relevantes para a execução da expressão de busca, considerando a interface da
base de dados escolhida, obteve-se a expressão de busca principal conforme o quadro 3. A busca foi aplicada à
base Scopus em 08 de fevereiro de 2024, possibilitando a recuperação dos registros bibliográficos.
Quadro 3
Expressão de busca principal
Expressão de busca principal
( TITLE-ABS-KEY ( "gender inequality" ) AND TITLE-ABS-KEY ( work* OR organization* OR corporate* OR
career OR professional* OR labor OR market OR office OR employ* OR institution ) AND NOT TITLE-ABS-KEY
( child OR hiv OR sex* OR "health inequalit*" OR covid* OR disease OR violence OR "maternal mortality" OR
"health insurance" OR biology OR "healthcare services" OR "novel" OR "religio*" OR "genre" OR "fiction" OR
"state pension age" OR "pension" OR "land ownership" OR "weight" OR "climate change" OR "food system" OR
"energy" OR "cancer*" OR "Israeli occupation" OR "Palestine" OR "War" OR "sociology of education" OR
"student*" OR "pest*" OR "veteran*" OR "art*" OR "social club*" ) ) OR ( TITLE-ABS-KEY ( "glass ceiling" ) AND
TITLE-ABS-KEY ( "work*" OR "organization*" OR "corporate*" OR "career" OR "professional*" OR "labor" OR
"market" OR "office" OR "employ*" OR "institution" OR "job" ) ) AND ( LIMIT-TO ( DOCTYPE , "ar" ) )
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores (2024). [Descrição de imagem] Quadro 3, intitulada 'Expressão de busca
principal'. O quadro exibe a string de busca completa utilizada na pesquisa. A query combina os termos 'gender
inequality' ou 'glass ceiling' com palavras relacionadas ao ambiente de trabalho, exclui uma longa lista de tópicos
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não relacionados (como saúde, guerra e religião) e limita os resultados a artigos (DOCTYPE, 'ar'). [Fim da
descrição].
Outra expressão utilizada para relacionar os resultados para com o viés racial consta no quadro 4, elaborado com
base em Lopes (2002).
Quadro 4
Expressão de busca sobre o viés racial
Expressão de busca para identificar o viés racial
((TITLE-ABS-KEY(negra*) OR TITLE-ABS-KEY(negro*) OR TITLE-ABS-KEY("afro-descendant") OR TITLE-
ABS-KEY("afro descendant") OR TITLE-ABS-KEY(afro-brazilian) OR TITLE-ABS-KEY("afro brazilian") OR
TITLE-ABS-KEY(black)))
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores (2024). [Descrição de imagem] Quadro 4, intitulada 'Expressão de busca
sobre o viés racial'. O quadro exibe a string de busca utilizada para identificar artigos sobre o tema. A query busca
por variações dos termos 'negra', 'negro', 'afro-descendant', 'afro-brazilian' e 'black' nos campos de título, resumo
e palavras-chave [Fim da descrição].
Com base nos dados obtidos nesta etapa, segue-se para a análise e resultados, utilizando o modelo em rede e
relacional, conforme Le Coadic (2004). Por ferramentas para análise, utilizou-se Google Sheets,
Biblioshiny/Bibliometrix e por fim VOSViewr. Este último, possibilita análises dado suas “[...] características de
exploração visual disponibilizadas na ferramenta VOSviewer, facilitam a combinação de elementos para
entendimento e avaliação do modo de comunicação, troca de informações e conhecimentos na área estudada”.
(Moraes & Kafure, 2020, p. 17).
4 Resultados
Para identificar quais os países e suas colaborações, utilizou-se um gráfico de rede de co-autoria exposta na
Figura 1. Esta rede contempla 524 nós (conexões) dos 111 países, distribuídos em 18 grupos (clusters). Os
parâmetros na presente rede consideram: a) co-autoria de países; b) número máximo de contagem dos países
por documentos: 25; c) número mínimo de documentos de um país: 1; número mínimo de citações de um país: 0;
d) método de normalização: modularidade.
Com base na Figura 1 identifica-se a proporção de publicação de cada país através do tamanho do ponto (bola).
Quanto maior o número de documentos publicados, maior a dimensão do ponto na figura. Neste aspecto verifica-
se que o Estados Unidos é o país com protagonismo nas publicações sobre a temática (810 documentos), seguido
do Reino Unido (342 documentos) e Espanha (211 documentos). Observou-se ainda que o Reino Unido ocupa
uma posição central na rede em termos de conexões (59 links), seguido dos Estados Unidos (57 links).
Em uma perspectiva geral, a rede de colaboração científica sugere que diversos países (111) estudam ou
estudaram sobre a temática, evidenciando o aspecto global da questão abordada. Nesta rede pode-se verificar
ainda que existem 18 grupos, que se interconectam, caracterizando de fato uma colaboração científica entre os
países.
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Figura 1
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Grafo de rede de colaboração científica dos países (co-autoria)
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores utilizando VOSviewer (2024). [Descrição da Imagem] Figura 1: Grafo de
rede de colaboração científica entre países por co-autoria. O grafo exibe os países como círculos, onde o tamanho
representa o volume de publicações. Linhas conectam países que colaboram. Os Estados Unidos, Alemanha e
Espanha aparecem como os maiores e mais centrais colaboradores, com diferentes agrupamentos de cooperação
científica indicados por cores distintas (clusters) [Fim da descrição].
Ao que concerne o Brasil, conforme consta na figura 2, evidenciam-se conexões diretas com 10 outros países,
sendo que estes países são desde os com maiores números de produções, conexões e centralidade (Estados
Unidos, Reino Unido e Canadá, por exemplo) até países que não se conectam diretamente com esses
protagonistas (Irã, Emirados Árabes e Portugal) assumindo, portanto, um papel de mediador nesse grupo.
Com relação ao volume de produção, percebe-se o total de 67 documentos, o que pode ser considerado
relativamente tímido se comparado às centenas de documentos de países mais centrais na rede.
Ademais, o Brasil se agrupa em apenas um dos grupos de toda a rede, mostrando assim que o país possui espaço
que demanda por uma busca para um papel mais ativo, realizando colaborações com demais países e grupos,
aumentando assim sua capilaridade na rede e se tornando mais relevante sobre a temática tanto em nível regional
quanto global.
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Figura 2
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Grafo de rede de colaboração dos países com foco no Brasil
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores utilizando VOSviewer (2024). [Descrição da Imagem] Figura 2: Grafo de
rede de colaboração científica entre países, com o nó do Brasil destacado por um círculo vermelho. O grafo mostra
os países como círculos de tamanhos variados e as colaborações como linhas de conexão. Os Estados Unidos
são o maior nó, e o Brasil demonstra fortes laços de colaboração com países da América do Norte e Europa, como
Estados Unidos da América, Espanha e Alemanha, integrando um cluster de pesquisa indicado pela cor vermelha
[Fim da descrição].
Parte da justificativa do Brasil se mostrar coadjuvante neste cenário pode ser explicada com base no tempo em
que sua produção científica tem início, relativamente atrasado em consoante ao todo. A primeira publicação no
mundo data o ano de 1983, enquanto no Brasil apresenta uma lacuna de 25 anos, com o primeiro documento
publicado em 2008. Para mais inferências, a figura 3 apresenta enfoque no aspecto temporal das publicações.
Ao explorar o aspecto temporal das publicações dos países nesta rede, é possível apontar que países mais
centrais na rede e com maior volume de publicações correspondem a países mais pioneiros na temática,
localizando-se nos primeiros anos da escala temporal.
Do mesmo modo, os países com menores números de publicações e que se situam em espaços mais periféricos
da rede, localizam-se em anos mais recentes na escala temporal. Neste sentido, o Estado Unidos e o Reino Unido
mantêm uma posição central, o que indica o papel de destaque e influência relacionado ao tema em questão.
A evolução temporal, evidenciada pelo uso de cores que variam do azul (primeiras publicações) ao amarelo
(publicações mais recentes), mostra que países como Brasil, África do Sul e Espanha encontram-se em um recorte
temporal que sucede os países pioneiros, com publicações mais notáveis nas últimas duas décadas, ou seja,
embora sejam menos centrais no início, ganharam maior relevância nos últimos anos. Isto sugere, também, que
esses países estão aumentando sua produção científica e se tornando mais influentes na rede global.
Por outro lado, Camarões, Ruanda e Zimbábue, estão posicionados mais afastados da rede central, refletindo
uma menor contribuição científica no período analisado. No entanto, sua presença na rede indica um crescente
interesse e envolvimento com a temática, ainda que de forma mais tardia em relação aos países centrais.
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Figura 3
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Grafo de rede colaboração de países ao longo do tempo
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores utilizando VOSviewer (2024). [Descrição da Imagem] Figura 3: Grafo de
rede de colaboração de países ao longo do tempo. O grafo utiliza uma escala de cores de azul (colaborações mais
antigas, por volta de 2016) a amarelo (colaborações mais recentes, por volta de 2022). A rede mostra um núcleo
de colaborações estabelecidas e contínuas (em tons de azul e verde), como as dos Estados Unidos e Alemanha,
e a emergência de novas colaborações na periferia da rede (em tons de amarelo) [Fim da descrição].
Sobre as instituições brasileiras, destacam-se as do setor acadêmico. Na figura 4 relacionam-se as instituições
brasileiras e sua rede de colaboração. Denota-se que das 61 instituições, nem todas produzem colaborativamente,
tornando-se uma rede com poucas interconexões e com distribuição mais dispersa. Ademais, as universidades
destacam-se como maiores produtores científicos sobre a temática, como no caso da Universidade de São Paulo
(USP) com o maior número de produções (9 documentos), seguida da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) com 6 documentos e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com 5 documentos.
As instituições que não se interconectam, ficando à margem da rede, possuem uma quantidade menor de
publicações, revelando que ao realizar a colaboração científica, o volume de publicações é potencialmente maior.
A Unicamp neste recorte não apresentou conexão com nenhuma outra instituição, embora possua um volume
significativo de publicações, sugerindo uma possível produção segmentada.
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Figura 4
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Grafo de rede de colaboração de instituições brasileiras
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores utilizando VOSviewer (2024). [Descrição da Imagem] Figura 4: Grafo de
rede de colaboração de instituições brasileiras. A visualização mostra as instituições como círculos de tamanhos
variados. USP é o nó mais proeminente e central, conectando-se a diversos clusters de colaboração indicados
por cores, como o cluster verde (com UFMG), o vermelho (com UFRGS) e o azul (com Unifesp e Fiocruz). A rede
destaca a centralidade das universidades do Sudeste e Sul [Fim da descrição].
Com relação aos ODS, a busca resultou no gráfico seguinte (figura 5). No eixo horizontal contempla-se os números
dos respectivos ODS, do 1 ao 17. No eixo vertical consta o número de documentos, e em cada barra identifica-se
o número total de publicações referente a cada objetivo. Infere-se que os artigos estão majoritariamente alinhados
ao ODS 5, que aborda justamente a igualdade de gênero. Nota-se a presença significativa dos objetivos 10
(redução das desigualdades), 8 (emprego digno e crescimento econômico) e 3 (saúde e bem-estar).
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Figura 5
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Distribuição de artigos por ODS
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores (2024). [Descrição da Imagem] Figura 5: Gráfico de barras verticais da
'Distribuição de artigos por ODS'. O eixo Y mostra o número de artigos e o eixo X lista os 17 Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS). O gráfico revela uma distribuição desigual, com o ODS 5 (Igualdade de
Gênero) apresentando o maior número de artigos (1958), seguido pelo ODS 10 (Redução das Desigualdades)
com 583 artigos. Os demais ODS possuem contagens significativamente menores [Fim da descrição].
Como dito anteriormente, os ODS se inter-relacionam, o que reforça a compreensão de que a igualdade de gênero
não pode ser vista isoladamente, mas sim em conjunto com outros aspectos fundamentais do desenvolvimento
sustentável. Portanto, a Figura 7 consegue ilustrar esta inter-relação, com a ressalva de que parte da amostra não
foi classificada no ODS, certamente por ser uma prática mais atual da base.
Contudo, é possível identificar a forte relação para com os ODS 8, 10 e 5, que exercem um papel estruturante nas
iniciativas de investigação. A presença desses ODS nas figuras 5 e 6 sugere, em linhas gerais, que as discussões
sobre igualdade de gênero podem ser vinculadas a questões de saúde, trabalho digno, crescimento econômico e
redução das desigualdades.
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Figura 6
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Grafo de rede de co-ocorrência de ODS
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores utilizando VOSviewer (2024). [Descrição da Imagem] Figura 6: Grafo de
rede de co-ocorrência de ODS. A visualização mostra como os ODS são abordados em conjunto nos artigos. Os
ODS 5 (Igualdade de Gênero) e 10 (Redução das Desigualdades) são os maiores e mais centrais nós, com uma
forte conexão entre eles. A rede se organiza em três clusters principais de co-ocorrência, indicados pelas cores
vermelha (centrado no ODS 5), verde (centrado no ODS 10) e azul (centrado no ODS 8) [Fim da descrição].
Relacionando os documentos recuperados ao viés racial, identificou-se um recorte que representa apenas 1,93%
do total (59 de 3057 publicações). No Brasil, constam 3 documentos que versam sobre a intersecção das temáticas
- liderança, gênero e raça - correspondendo a aproximadamente 4,5% de sua produção geral - gênero e liderança
- ou então cerca de 5% dos documentos que abordam a questão racial (3 de 59) no mundo todo.
Com estes indicadores gerais, é observável a desproporção de produção científica estudando a temática sob o
viés racial, o que vai ao encontro da colocação de Abraído-Lanza et al (2021) que evidencia a sub-representação
de gênero somado à etnia e/ou raça em ambientes institucionais e sócio-políticos. Ou seja, pode-se afirmar que
há um recorte (etnia e raça - compreendendo mulheres negras e latinas) dentro do recorte (gênero e liderança)
não somente na prática profissional, mas também nas pesquisas sobre tais questões.
Em termos de colaboração científica entre os países, verifica-se poucas conexões e países mais dispersos,
incluindo o Brasil, que não se insere no único grupo com conexões (composto por Estados Unidos, Alemanha,
Canadá, Hong Kong e Coréia do Sul). Uma das possibilidades de avanço nessa temática pode ser através da
colaboração na comunidade científica internacional, já que pela rede é possível acontecer trocas e obter diferentes
perspectivas para uma problemática que pode ser de certa forma comum aos envolvidos.
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Figura 7
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Grafo de rede da colaboração científica entre países na temática gênero e raça
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores utilizando VOSviewer (2024). [Descrição da Imagem] Figura 7: Grafo de
rede da colaboração científica entre países na temática gênero e raça. A rede é extremamente esparsa, indicando
baixa colaboração internacional. Um pequeno cluster é formado por Estados Unidos (o maior nó), Canadá e
Alemanha. Outros países, como Reino Unido, África do Sul e Costa Rica, aparecem como nós isolados, sem
conexões aparentes [Fim da descrição].
Esses resultados evidenciam que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) têm se consolidado como
uma temática nas pesquisas científicas, refletindo sua relevância global. Além disso, destacam a posição de
liderança de determinados países na produção acadêmica sobre o tema, além das colaborações entre eles.
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5 Análise e discussão dos resultados
Os resultados deste estudo reforçam a importância de estratégias organizacionais que promovam a equidade de
gênero em cargos de liderança, incluindo metas concretas para a representatividade feminina, revisão de vieses
inconscientes em processos de contratação e políticas de equidade salarial. A análise das causas e efeitos da
disparidade de gênero pode elucidar caminhos para a construção de uma sociedade mais justa. Nesse sentido, a
adoção de indicadores de Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade (DEIA) pode auxiliar no
monitoramento da efetividade dessas iniciativas (Hayashi & Rigolin, 2024).
Recomenda-se, ainda, o fortalecimento da colaboração científica internacional para ampliar a visibilidade da
produção brasileira sobre o tema. Os resultados indicam que o Brasil ocupa uma posição emergente na rede de
colaboração em pesquisa sobre gênero, raça e liderança. Embora o volume de produção científica brasileira seja
expressivo, ainda não reflete toda a pluralidade e complexidade que envolve esses eixos, especialmente em suas
intersecções. O Brasil tem a oportunidade de intermediar a conexão entre países com maior produção científica
(Estados Unidos, Reino Unido e Canadá) e aqueles com menor volume de publicações e conexões (Irã, Emirados
Árabes e Portugal), além de criar novas conexões com países que compartilhem realidades culturais e sociais
semelhantes
É necessária uma maior colaboração entre as instituições nacionais. Instituições à margem na rede nacional, com
publicações individuais (como a Unicamp, Universidade Federal da Bahia, Universidade do Estado do Rio de
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Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Janeiro, por exemplo), podem unir esforços para aprofundar as pesquisas e fortalecer a produção científica sobre
gênero, raça e liderança. Os resultados deste estudo evidenciam a existência de pesquisadores de diferentes
instituições com interesses convergentes em relação à temática. A proposição de iniciativas para integrar estudos,
por parte de instituições, agências de fomento ou dos próprios pesquisadores, pode enriquecer a colaboração e o
desenvolvimento de soluções para as disparidades. No âmbito acadêmico, destaca-se a necessidade de incentivar
estudos interseccionais, fortalecer redes de pesquisa e parcerias internacionais, com o objetivo de ampliar o
impacto da produção científica na formulação de políticas públicas e organizacionais.
Contudo, a literatura científica aponta que a colaboração científica não implica apenas em coautoria, pois abrange
diversas formas de interação voltadas à realização de tarefas, ao compartilhamento de significados e à construção
de objetivos comuns entre os participantes. Ao colaborar internacional ou nacionalmente as chances de
aceitação e citação são probabilisticamente maiores. Os benefícios de colaborar, por fim, podem incluir a redução
de possibilidades de erro, amplificação de recursos, aumentar a popularidade científica e trazer mais visibilidade
ao tema de pesquisa. (Vanz & Stumpf, 2010)
Para além do aspecto de produção científica, os resultados suscitam a necessidade de políticas públicas voltadas
à equidade de gênero como ações afirmativas, programas de capacitação e incentivos para empresas que
promovam a diversidade. Órgãos governamentais, organizações e instituições acadêmicas podem utilizar as
pesquisas científicas como base para a formulação de políticas públicas, estratégias organizacionais e iniciativas
acadêmicas.
As publicações de países com maior tradição em pesquisas sobre gênero e liderança podem fornecer modelos e
direcionamentos relevantes, considerando que suas investigações iniciaram em 1983, enquanto as primeiras
pesquisas no Brasil datam de 2008. A análise da produção científica brasileira e de sua rede de colaboração pode
auxiliar na compreensão de demandas e sugestões específicas para a elaboração de políticas públicas eficazes.
A necessidade de abordar o viés racial se mostra ainda mais urgente. A escassa proporção de publicações sobre
a interseccionalidade de gênero e raça, somada à ausência do Brasil na rede colaborativa sobre esse viés
específico, evidencia a necessidade de promover pesquisas acadêmicas e científicas, bem como de implementar
normas, incentivos e políticas que impulsionem a inclusão de mulheres negras em cargos de liderança
A equidade de gênero deve ser tratada como um fator estratégico para o desenvolvimento sustentável, exigindo
ações coordenadas entre governos, empresas e universidades para promover mudanças estruturais e alcançar
os ODS. Os ODS, se inter-relacionam, com destaque para o ODS 5, que se relaciona com o ODS 10, apontando
para a necessidade de políticas afirmativas que contemplem a interseccionalidade de gênero e raça. Além disso,
a equidade de gênero no mercado de trabalho impacta diretamente o ODS 8, pois estudos mostram que empresas
e países com maior inclusão feminina apresentam melhores indicadores de inovação e desenvolvimento.
Embora a participação feminina em cargos de liderança tenha apresentado avanços, persistem barreiras
estruturais, como o teto de vidro (Kräft, 2022) e a sub-representação institucionalizada (Poggio, 2022), que limitam
o acesso de mulheres, especialmente negras e latinas, a posições estratégicas. A relevância do fenômeno do teto
de vidro é corroborada pelo volume de produção científica que o aborda como um obstáculo para a equidade de
gênero. A literatura científica reconhece o teto de vidro e busca soluções para superá-lo. No entanto, a interseção
entre o teto de vidro e a sub-representação de mulheres negras ainda carece de maior aprofundamento.
Dessa forma, os resultados reforçam que a promoção da equidade de gênero não deve ser tratada isoladamente,
mas sim como parte de um esforço global para reduzir desigualdades e promover sociedades mais inclusivas e
sustentáveis. A pesquisa contribui para essa agenda ao oferecer um diagnóstico quantitativo da produção
científica sobre o tema, evidenciando a urgência de estratégias intersetoriais e políticas públicas que garantam
maior participação feminina em posições de liderança.
6 Conclusões
A preocupação com a relação entre gênero e cargos de liderança aponta um interesse global e crescente na
comunidade científica. No entanto, alinhar esta temática ao viés de raça e etnia é um desafio evidente, dado a
proporção significativamente inferior de produção científica comparado ao quadro geral.
Considerando a elaboração da expressão de busca principal (quadro 2), pode-se salientar que pesquisas sobre
desigualdade de gênero compreendem uma diversidade de focos de investigação, distribuídos em uma variedade
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Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
de contextos sociais, de gênero, econômicos, dentre outros. O fenômeno conhecido por glass ceiling também se
sobressai no tocante à temática, já que aponta especificamente os desafios para que mulheres avancem a cargos
de liderança nas organizações. Portanto, através do glass ceiling pode-se representar o contexto e caminhar em
direção a superação das desigualdades estruturais.
Em consoante ao aspecto de colaboração científica por meio da co-autoria entre países, por exemplo, notou-se
que países com maior volume de produção são também países mais pioneiros e com maior número de conexões
na rede, enquanto por outro lado os países mais intermediários e recentes (emergentes) na temática se
posicionam nas extremidades mais externas e com menor número de conexões. Contudo, fica explícito que
diversos países têm iniciado seus estudos neste campo, e acredita-se que através da colaboração será possível
enriquecer o conhecimento do regional ao global, sobre a disparidade de gênero em cargos de liderança,
sobretudo nos países mais emergentes da rede.
No cenário brasileiro, a construção da discussão sobre a temática no espaço acadêmico-científico, embora com
início relativamente tardio (20 anos após a primeira publicação no mundo), percebe-se alguns avanços, já que
possui algumas conexões com países referências no assunto, além do potencial mediador com outros países
emergentes que ainda não se conectam diretamente com os países de referência. Entretanto, são necessárias
mais pesquisas para elucidar o contexto brasileiro, sobretudo com o viés étnico-racial. De qualquer modo, Brasil
e mundo carecem de pesquisas sobre a sub-representação étnico-racial, como o de mulheres pretas e latinas,
dentro do contexto de mulheres em sua luta para conquistar cargos de liderança.
Referente aos ODS, conclui-se que as pesquisas mapeadas se alinham notoriamente com os ODS, sugerindo
que ao proporcionar igualdade de gênero também colabora-se para uma sociedade mais desenvolvida e avançada
em diversos aspectos para além da redução das desigualdades, mas visando também dignidade, crescimento
econômico, saúde e bem estar, dentre outros diversos aspectos que estão intimamente interligados para o avanço
social, político, econômico e sustentável global.
Ressalta-se que a pesquisa pode apresentar resultados enviesados considerando a base de dados utilizada para
o levantamento bibliométrico. Outras delimitações da pesquisa podem instaurar-se com base no escopo abordado,
bem como em eventuais vieses metodológicas, lacunas tais que podem ser preenchidas em futuras investigações.
Sugere-se, entretanto, pesquisas futuras em bases de dados diversas para complementação analítica. Em futuros
estudos pode-se ainda realizar recortes mais específicos dentro dos grupos minoritários, a fim de enriquecer as
discussões e trazer mais profundidade às questões de disparidade. Abordagens quanto à análise setorial
específicos como no ambiente corporativo, político ou acadêmico, por exemplo ou considerando aspectos
demográficos, estudos longitudinais ou abordagens qualitativas poderão contribuir para a investigação da temática
de gênero e liderança.
Adicionalmente, percebe-se como oportunidade de pesquisa futura a aplicação da metodologia da roleta
interseccional (Carrera, 2021), proveniente do campo da Comunicação, para alinhar conceitos, abordagens e
vieses, evitando negligências. Essa metodologia, que representa um avanço significativo nos estudos de
comunicação, pode ser uma ferramenta relevante para analisar a interação das diferenças sociais, aprofundando
a análise para além da descrição e desvendando relações de poder que moldam a sociedade.
Em vistas à CI, futuros estudos poderão agregar métricas específicas com base nos indicadores de Diversidade,
Equidade, Inclusão e Acessibilidade (DEIA), com base em Hayashi e Rigolin (2024) a fim de contribuir para a
discussão interdisciplinarmente, e por conseguinte para o enriquecimento no escopo da CI.
Fica evidente que há desafios a superar para identificar a produção que versa sobre a população negra. Mapear
o comportamento da produção científica acerca da temática de liderança e gênero, e suas respectivas
intersecções tais como de raça, podem contribuir na compreensão e diagnóstico de tendências e lacunas de
pesquisa. Assim, pode-se aferir no cenário global e principalmente brasileiro quais instituições, e sua distribuição
geográfica, abordam a temática colaborativa ou isoladamente. Tais investigações científicas contribuem para o
desenvolvimento social, político, econômico, sustentável e nas demais esferas existentes, através do respaldo
para criação de políticas e ações afirmativas que diminuam a disparidade de gênero e raça.
Por fim, é fundamental reconhecer que a discussão sobre gênero na contemporaneidade transcende o viés binário
(homem e mulher). Os indicadores apontam para a necessidade de ampliar a análise, considerando diversos
cenários e alinhando a perspectiva de cargos de liderança com a inclusão de outras minorias (raça, etnia,
identidade de gênero, classe social, pessoas com deficiência, etc.). Esse avanço é crucial para o progresso da
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Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
discussão acadêmico-científica, convergindo com os resultados de diversos autores, inclusive no campo da
Ciência da Informação, como Bidarte, Beltrame e Rodrigues (2024) e Hayashi e Rigolin (2024).
Referências
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Bidarte, M. V. D., Beltrame, B. S., & Rodrigues, M. B. (2024). Carreira, gênero e sexualidade: estudo
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Dados de Publicação
Luana Cristina-Silva
Mestranda em Ciência da Informação.
Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ciência da Informação, São Carlos, SP, Brasil
luana.silva@estudante.ufscar.br
https://orcid.org/0000-0003-0953-4394
Mestranda em Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) (2023-2025), e pós-
graduanda no programa Master in Business Administration (MBA) em Informação, Tecnologia e Inovação para
Negócios (ITI), também pela UFSCar (2024-2025). Bacharela em Biblioteconomia pela Pontifícia Universidade
Católica de Campinas (PUCC) (2014-2017). Membro do grupo de pesquisas Núcleo de Inovação Tecnológica em
Materiais (NIT/Materiais) da UFSCar. Membro de apoio no programa Informação, Tecnologia e Inovação (ITI-
UFSCar) e no Instituto Informação para Inovação (i2i).
Ana Carolina Novaes de Mendonça
Mestra em Ciência da Informação
Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ciência da Informação, São Carlos, SP, Brasil
anamendonca@ibict.br
https://orcid.org/0009-0004-0285-9932
Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) (2023-2025). Bacharela em
Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB) (2017-2022). Pesquisadora no Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).
Roniberto Morato do Amaral
Doutor em Engenharia de Produção
Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ciência da Informação, São Carlos, SP, Brasil
roniberto@ufscar.br
No. Esp. (2025) e019 http://biblios.pitt.edu/ • DOI 10.5195/biblios.2025.1250
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Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
https://orcid.org/0000-0002-9816-231X
Professor Associado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), vinculado ao Departamento de Ciência
da Informação. Pesquisador no Núcleo de Informação Tecnológica em Materiais da UFSCar (NIT/Materiais) e no
Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência). Doutor (2010) e Mestre (2006) em
Engenharia de Produção e Bibliotecário (2003) pela UFSCar. Atuo na investigação da atividade de Inteligência
Competitiva com base na abordagem das competências e sua aplicação à gestão tecnológica e inovação, por
intermédio da elaboração e análise de indicadores de produção científica e tecnológica.
Leandro Innocentini Lopes de Faria
Doutor em Ciência e Engenharia dos Materiais
Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ciência da Informação, São Carlos, SP, Brasil
leandro@ufscar.br
https://orcid.org/0000-0002-8369-1315
Professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desde 2002, vinculado ao Departamento de
Ciência da Informação. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da
UFSCar. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFSCar. Coordenador
executivo do Núcleo de Informação Tecnológica em Materiais da UFSCar. Atuação em Ciência da Informação,
Prospecção Tecnológica, Inteligência Competitiva, Bibliometria e Indicadores de C&T. Engenheiro de Materiais
pela UFSCar (1994). Doutor em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos
(2001) e em Ciência da Informação e Comunicação pela Universite dAix-Marseille III (2001).
Endereço para correspondência do autor principal
Universidade Federal de São Carlos, Centro de Educação e Ciências Humanas, Departamento de Ciências da
Informação. Rodovia Washington Luis, Km 235. Monjolinho, CEP 13565905, São Carlos, SP - Brasil - Caixa-
postal: 676.
Originalidade
Declaro que o texto é original e que não está sendo avaliado por nenhuma outra publicação. Caso eu decida
cancelar o processo de publicação, comprometo-me a informar imediatamente à equipe editorial da Revista
Biblios, para que o envio possa ser arquivado.
Preprint
Não se aplica.
Informações sobre o trabalho
Esta obra trata-se de um desdobramento e aprofundamento de um resumo expandido de conferência (9° Encontro
Brasileiro de Bibliometria e Cientometria) publicado em 2024 pelos presentes autores (Cristina-Silva e outros,
2024).
Cristina-Silva, L., Novaes de Mendonça, A. C., Amaral, R. M., Faria, L. I. L. (julho de 2024). Mulheres em cargos
de liderança: um estudo bibliométrico a partir do fenômeno glass ceiling. 9° Encontro Brasileiro de Bibliometria e
Cientometria. https://doi.org/10.22477/ix.ebbc.372
Agradecimentos
Agradecemos ao CNPq pela concessão de bolsa.
Contribuição dos autores
Concepção e elaboração do manuscrito: L. Cristina-Silva, A. C. N. Mendonça, R. M. Amaral
Coleta de dados: L. Cristina-Silva, A. C. N. Mendonça, R. M. Amaral
Análise de dados: L. Cristina-Silva, A. C. N. Mendonça, R. M. Amaral
Discussão dos resultados: L. Cristina-Silva, A. C. N. Mendonça, R. M. Amaral, L. I. L. Faria
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Nº Esp. (2025) e019 http://biblios.pitt.edu/ • DOI 10.5195/biblios.2025.1250
Disparidade de gênero em cargos de liderança: um estudo bibliométrico
Revisão e aprovação: R. M. Amaral, L. I. L. Faria
Uso de inteligência artificial
Não se aplica.
Financiamento
O presente trabalho foi realizado com apoio da Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -
Brasil (CNPq) Processo 132136/2023-6.
Consentimento de uso de imagem
Não se aplica.
Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa
Não se aplica.
Conflito de interesses
Não se aplica.
Declaração de disponibilidade de dados
O conjunto completo de dados que respaldam os resultados deste estudo estão disponíveis no seguinte local:
Cristina-Silva, L., Novaes de Mendonça, A. C., Amaral, R. M. do, & Innocentini Lopes de Faria, L. (2025). Dados
bibliométricos para pesquisa de disparidade de gênero [Data set]. Zenodo.
https://doi.org/10.5281/zenodo.17371904.
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Os autores concedem à Biblios direitos exclusivos de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente
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Publicação da University Library System of University of Pittsburgh. Responsabilidade compartilhada com as
universidades conveniadas. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não
representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade
Editores - uso exclusivo do periódico
Lúcia da Silveira, João Maricato e Janicy Aparecida Pereira Rocha.
Histórico uso exclusivo da revista
Recebido: 02-09-2024 - Aprovado: 22-10-2025 - Publicado em: 16-12-2025
The articles in this journal are licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 United States License.
This journal is published by Pitt Open Library Publishing.
No. Esp. (2025) e019 http://biblios.pitt.edu/ • DOI 10.5195/biblios.2025.1250
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