Entrelaçamentos: Ecolinguística e Base Nacional Comum Curricular para o ensino de Língua Portuguesa |
Eduwesley Pereira da Silva; Elza Kioko Nakayama Nenoki do Couto
ao academicismo. Apesar disso, há esforços na tentativa de unir os dois polos. É em perspectiva
semelhante que se baseia este estudo, demonstrar como três princípios Ecolinguísticos aparecem nas sete
competências para a língua portuguesa do ensino médio. De que forma a ciência ecológica dialoga com
a BNCC, no tópico analisado, que segue na íntegra:
Quadro 1 – Sete competências para a língua portuguesa do ensino médio
Competências específicas de linguagens e suas tecnologias para o ensino médio
1 compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas culturais (artísticas, corporais e verbais) e
mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas
diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de explicação e
interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo.
2 compreender os processos identitários, conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de
linguagem, respeitando as diversidades e a pluralidade de ideias e posições, e atuar socialmente com base em
princípios e valores assentados na democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando o
autoconhecimento, a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, e combatendo preconceitos de
qualquer natureza.
3 utilizar diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais) para exercer, com autonomia e colaboração,
protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e solidária, defendendo pontos
de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo
responsável, em âmbito local, regional e global.
4 Compreender as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, cultural, social, variável, heterogêneo e sensível
aos contextos de uso, reconhecendo suas variedades e vivenciando-as como formas de expressões identitárias,
pessoais e coletivas, bem como agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza.
5 compreender os processos de produção e negociação de sentidos nas práticas corporais, reconhecendo-as e
vivenciando-as como formas de expressão de valores e identidades, em uma perspectiva democrática e de respeito
à diversidade.
6 Apreciar esteticamente as mais diversas produções artísticas e culturais, considerando suas características locais,
regionais e globais, e mobilizar seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar significado e (re)construir
produções autorais individuais e coletivas, exercendo protagonismo de maneira crítica e criativa, com respeito à
diversidade de saberes, identidades e culturas.
7 mobilizar práticas de linguagem no universo digital, considerando as dimensões técnicas, críticas, criativas, éticas
e estéticas, para expandir as formas de produzir sentidos, de engajar-se em práticas autorais e coletivas, e de
aprender a aprender nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e vida pessoal e coletiva.
Fonte: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Disponível: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Acesso em:
11 dez. 2019
Vejamos, na primeira competência podemos ver claramente menção indireta à valorização da
diversidade linguística, na seguinte passagem, Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas
culturais (artísticas, corporais e verbais) [...]. A partir disso, pode-se inferir que o princípio da diversidade está
explicitamente marcado nessa materialidade linguística. Ressalta-se ainda que diversidade é concebida
dentro dos aspectos mais diversos, especialmente linguístico, em que costelam diferentes formas de
expressões sociais. Algo como já demonstrado por (COUTO, 2016, p. 293-294) “[...]diversidade é a
condição básica para o funcionamento da consciência humana [...] de modo que, se a consciência é o que
nos define como seres humanos, então a diversidade torna-nos humanos”.
__________________________________________________________________________
Travessias, Cascavel, v. 14, n. 1, p. 140-153, jan./abr. 2020.
http://www.unioeste.br/travessias