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De acordo com Barbier (1997), cabe à educação ambiental considerar os
problemas relativos a todas as formas de vida, a fim de compreender a
complexidade dos sistemas ambientais e da multirreferencialidade da ação
educativa. Para tal, segundo Morin (2000), mune-se da ideia de mudança de
valores e do pensar ainda dominantes, pois fazer educação ambiental sugere fazê-
la nos moldes de uma filosofia e pedagogia da práxis, unindo ação-reflexão, de
maneira a construir outras lógicas societais, numa profunda busca do
redimensionamento da ecologia em uma nova lógica da vida.
A finalidade dessa educação para o ambiente foi determinada pela
UNESCO, logo após a Conferência de Belgrado em 1975 e consiste em "formar
uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os
problemas com ele relacionados, uma população que tenha conhecimento,
competências, estado de espírito, motivações e sentido de empenhamento que lhe
permitam trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas
atuais, e para impedir que eles se repitam”. (UNESCO, 1975, p. 2).
Assim, conforme Suvé (2005), a Educação Ambiental tem uma importante
função a desempenhar no sentido de induzir dinâmicas sociais, de início na
comunidade local e, posteriormente, em redes mais amplas de solidariedade,
promovendo a abordagem colaborativa e crítica das realidades socioambientais e
uma compreensão autônoma e criativa dos problemas que se apresentam e das
soluções possíveis para eles.
Todavia, nem todos pensam e fazem educação ambiental dessa maneira.
Para muitos ela fica apenas no modismo8, sendo subjugada como resultado da
visão fragmentada do mundo não alimentada pelo espírito, pois visão de mundo é
uma janela conceitual, através da qual nós percebemos e interpretamos a realidade
do mundo, tanto para compreendê-la como para transformá-la. Nesse contexto, a
ecologia espiritual assume um importante papel para a compreensão e para a
realização da educação ambiental, pois conduz a um nível de consciência ecológica
que faz com que os seres humanos reinterpretem-se enquanto parte de um todo.
Sob esse ponto de vista
a ação, uma vez recolocada em sua direção verdadeira, reduz a distância
e a estranheza de nossa relação com a ordem das coisas, o afastamento
do organismo individual e coletivo em face dessa ordem, apreendida
unicamente em termos abstratos, marcada pela segregação, em função
das qualidades primárias – espaço, tempo, leis, medidas, quantidades.
Estabelece a possibilidade duma familiaridade, enquanto as qualidades
secundárias, imediatas, do sensível, do percebido, do imaginário,
preenchem o vazio, mantido, do homem em relação ao seu universo.
Urge certamente a volta, não a volta à natureza e sim a volta dentro da
natureza. (MOSCOVICI, 1975, p. 71).
8A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como
situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor
instrumental, ou de “uso”, à natureza (CAPRA, 2006, P 25).
REDES, Santa Cruz do Sul, v. 16, n. 3, p. 122 – 137, set/dez 2011