Revisão Bibliográfica
Naess, para além de ecologista e filósofo, sempre teve uma ligação com os movimentos
de paz e justiça social, bem como os ensinamentos de não violência de Gandhi. As suas ideias
na criação deste movimento tentam ir em contraste da visão mais convencional até à data
oferecida, dando uma visão com uma base mais social e adaptável consoante a sociedade que
acolha este tipo de ideias. Para Naess, a ecosofia também é a harmonia e equilíbrio ecológico,
porém, também tem que integrar outras questões não estritamente filosóficas remetentes à gestão
de recursos e população (Drengson & Inoue, 1995). Deste modo, Deep ecology é um
movimento muito mais complexo do que um movimento ecologista, deep ecology ambiciona
aprofundar ideias como a diversidade, complexidade, autonomia, descentralização, simbiose,
entre outros (Drengson, Devall & Schroll,2011). Naess tenta promover muito mais que apenas
um movimento ecologista ou ambiental: uma transformação de pensamento contemporâneo para
promover a visão que temos sobre a Natureza e a Ecologia, bem como o nosso papel e função
imprescindível para o tratamento do planeta em que habitamos. Deste modo, esta nova
perspetiva da ecosofia, levou Naess a preocupar-se bastante com a consciencialização da
conservação do mundo em que vivemos, nas mais diferentes frentes de ataque.
Tal como o nome indica, a questão profunda deste movimento deve-se ao
questionamento de valores e propósitos que temos para com as questões ambientais, bem como
as consequentes ações a serem desenvolvidas, a longo prazo, escala e profundidade filosófica.
Na visão de Naess, há duas formas de ambientalismo no movimento deep ecology: uma delas é
desenvolvida a longo curso e com objetivos a longo alcance (“long-range deep ecology
movement”), enquanto a outra vertente é mais superficial (“shallow ecology movement) 3. Na
perspetiva deste filósofo e ecologista, este movimento desenvolve-se por vários níveis
hierárquicos, dependendo sempre do questionamento e articulação dos movimentos
transculturais a nível global que acolham as ideias do deep ecology. Tendo sempre presente que
o movimento em questão tem como objetivo uma visão global e cultural abrangente, este deve
ser adaptável consoante as culturas e os meios sociais e políticos em questão, questionando e
modificando as duas questões, focos e modos de atuação local e global.
Os principais princípios deste movimento prendem-se com a exploração exagerada da
natureza para satisfação pessoal, bem como a danificação da vida não humana. Deste modo, um
dos principais princípios deste movimento é que o valor da vida humana e não humana na Terra
tem importância intrínseca. A diversidade e riqueza ambiental não necessitam de ter um
objetivo, como por exemplo ser utilizado como recurso natural, para ter valor. Deste modo, o
Homem não tem direito de deteriorar esta diversidade e deve-se focar na preservação da vida
3 Drengson, A. (1997). Ecophilosophy, the deep ecology movement AND Ecosophy. Disponível em
http://www.ecospherics.net/pages/DrengEcophil.html (acedido a 10 de janeiro de 2021).
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